Numa das passagens mais conhecidas da bíblia, duas mulheres e um bebê são apresentados a Salomão. Ambas discutiam, cada uma alegando ser a mãe da criança. O rei então ordenou que a criança fosse partida ao meio e que cada mulher ficasse com uma metade. “Então, a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem meu nem teu; seja dividido” (1Re.3:26). Esse texto é tão rico. O verdadeiro amor não se contenta com metades. E é justamente por isso que o verdadeiro amor não oferece metades.
A mulher que mentia satisfez-se em ficar com uma metade e oferecer a outra. A verdadeira mãe não, porque o “amor se aguçou” nela. Metades não têm vida, são ofertas mortas e sem valor. O apóstolo Paulo nos exorta a apresentarmos nosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm.12:1). Deus não espera de nós uma “meia consagração”, Ele nos ama muito e não se contenta com metades. Isso é tão claro na bíblia: “não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus?” (Tg.4:4); “não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt.6:24); “frio ou quente” (Ap.3:15-16). E se refletirmos um pouco, não é difícil entender o porquê disso. Ninguém gosta de ser meio ouvido, meio respeitado, meio amado.
O copo está meio cheio ou meio vazio? Essa não é uma pergunta bíblica, falo em sentido figurado, claro. Explico. Jesus nos ensinou que a nossa palavra deve ser “sim, sim; não, não”, o que passa disso é de procedência maligna (Mt. 5:37). Ora, não é possível responder a pergunta acima nem com sim nem com não. Assim, se não conseguimos responder da forma ensinada, imagino que Deus não formularia a pergunta daquele jeito. Acredito que a questão que realmente importa para Jesus é: o copo está cheio? Metades desviam nosso foco das coisas que são essenciais para Deus. Passamos horas, dias e anos tentando responder se é “meio cheio” ou “meio vazio” em vão.
É preciso ter cuidado na escolha das perguntas que nos fazemos para analisar a nossa vida com Deus. Se elas têm “metades” como referencial, nosso foco está errado e respondê-las não nos levará a lugar algum. Metade não é equilíbrio, metade é confusão. Confusão é falta de certeza. Fé é certeza. Metade é falta de fé. Convenhamos, não existe meia verdade, meio cristão, meia fidelidade, meia obediência. Para Deus, é tudo ou nada.
Pr. Paulo Júnior – www.twitter.com/paulosousajr |